Leandro Loreto

Eu sou invejoso

Inveja
Inveja

Eu sou Invejoso

Sentia raiva…

Sentia dor…

Sentia falta de ar…

Sentia um sufocamento…

Sentia angústia…

Sentia até… até vergonha de o outro nos olhos…

Sabe o que mais eu sentia?

Sentia inveja!

Fui criado com a ideia de que a inveja dos outros sobre nós tem poder de fazer mal. Contudo, sempre me questionei se alguém realmente tinha poder de afetar as nossas vidas. Sempre tive dúvidas de que alguém, ser humano de carne e osso, realmente tinha poder de me fazer mal através de um sentimento.

Com o tempo, comecei a acreditar que isso não era possível, e que certas coisas, acontecem por causalidade.

Entretando, depois de uns anos senti na pele que a inveja realmente pode nos fazer mal. Realmente pode afetar e atrapalhar as nossas vidas.

Realmente pode, até mesmo, destruir tudo… 

Porém ela faz mal de outra forma. E qual seria?

Ela não faz mal para quem sofre, para quem é alvo dela, mas ela atinge quem sente.

Ela prejudica quem nutre esse sentimento dentro de si.

 E como cheguei a essa conclusão?

Simples… Eu senti inveja…

Lembro que o ano era 2013 e ingressei no meu primeiro emprego. Nesse emprego eu era um apenas um estagiário. Trabalhávamos eu e outro colega que também tinha a mesma função que eu (estagiário).

Esse colega sempre era elogiado recebendo dezenas de parabéns.

Ele era extremamente inteligente. Fazia as tarefas de forma rápida e melhor do que eu. Além disso, frequentemente demonstrava ser dedicado, sempre fazendo mais do que era proposto.

E eu? O que fazia?

Bom, eu sentia inveja…

Sentia raiva…

E executava muito mal as minhas tarefas…

Parece que tudo dava errado…

Parece até que…  até que… até que alguém estava sentindo inveja de mim…

Eu falhava nas menores coisas. Frequentemente me chamavam atenção.

Porém a minha preocupação era se o meu colega já tinha terminado o trabalho, se ele iria conseguir fazer…

E claro, quando ele falhava, quando raramente ele falhava, eu comemorava….

 Ficava feliz quando algo dava errado para ele…

Porém a falha dele era rara, e a minha era frequente…

Certo dia eu o vi com um uniforme diferente. Uniforme comum dos funcionários que estão efetivos na empresa, ou seja, aqueles que não são mais estagiários.

Eu não conseguia olhar ele nos olhos… Sentia algo estranho. Um misto de raiva com vergonha.

Quando vi ele vestido com esse uniforme, logo cheguei à conclusão de que ele havia sido efetivado, ou seja, promovido para um cargo integral na empresa. E o que eu senti? Muita inveja…

Naquele dia eu não conseguia nem engolir a minha própria saliva, parecia que algo estava trancado na minha garganta. Era angústia…

Sentia um peso imenso no corpo…

Sentia vergonha, raiva, dor…

Vontade até de chorar….

Em meio desse choro misturado com vergonha, comecei a refletir:

“Está certo isso? Esse sentimento está me fazendo bem? Parece que tudo está dando errado… Estou sentindo inveja de outra pessoa?”

Sim, naquela altura do campeonato, eu não tinha admitido que sentia inveja.

Toda vez que esse pensamento chegava na minha cabeça, a vergonha e o orgulho faziam com que eu não aceitasse… (Acho que sempre fazemos isso, procurar pensar que as pessoas sentem inveja de nós e não nós delas).

Enfim, naquele dia, com muito esforço e vergonha, eu reconheci. Reconheci, admiti que eu sentia muita inveja…

Depois da aceitação, procurei a redenção…

Comecei a refletir, a conversar comigo mesmo que aquilo não estava certo…

Reconheci que aquele sentimento só estava me fazendo mal. E que, tudo que eu fizesse daria errado se eu não mudasse.

Comecei com algo simples.

Sempre que precisava falar com esse meu colega eu olhava no olho dele e encarava a minha inveja… A minha vergonha…

Com o tempo, eu comecei a evitar o sentimento.

Eu procurava desviar o pensamento, substituir ele por algo bom…

Quando surgia eu rebatia…

“Fulano está sempre fazendo as coisas rápido”, eu rebatia, “Ele faz rápido porque não para conversar”.

“Fulano é sempre elogiado e eu não”, eu rebatia, “Ele é elogiado porque ele faz tudo com muita dedicação e não fica cuidando o serviço dos outros”.

Com o tempo, tornei-me um advogado no meu colega o qual defendia ele sempre em meus pensamentos.

Com o passar do tempo, a inveja foi sumindo. Não por completo, mas o sentimento ruim diminuiu e no lugar dele, começou a sentir satisfação sobre mim mesmo.

Comecei a ter a sensação de que eu estava fazendo a coisa certa. Inclusive comecei até torcer por esse meu colega.

Com o passar do tempo, comecei também a terminar as minhas tarefas de forma mais rápida…

Comecei a ser elogiado…

E, depois de muito esforço, fui efetivado, promovido…

Conclusão

Prezados, esse post é uma experiência minha e que senti na pele o que a inveja pode fazer conosco.

Sempre acreditamos que os outros sentem inveja e não que nós sentimos dos outros. Temos vergonha de reconhecer esse sentimento, pois fere o nosso ego.

Ela nos deixa com raiva, vergonha. Ela até, de certa forma, tortura…

Contudo, somos seres humanos com sentimentos e desejos.

 É difícil não sentirmos algo que é natural da natureza humana, porém para melhorarmos precisamos reconhecer, admitir que estamos invejando o outro.

Admita para você mesmo que sente inveja; depois enfrente ela. Olhe ela nos olhos e busque maneiras de combatê-la.

Afinal, a inveja corrói quem sente, e não quem é alvo dela.

 “A inveja nunca é plena, mata a alma e envenena”

Se seu Magruga falasse sobre a inveja.

Abraços

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